Tuesday, August 19, 2008

Delirios

Dois homens falam sobre sexo, e medo. Um deles descreve uma bunda ao outro, e conta como desejou entrar ali e nunca mais sair, descreve com detalhes as cores, cheiros e texturas, o tamanho e a forma como apertava, abria, cheirava. E continua já um tanto quanto melancólico:
- [cabisbaixo] O sexo foi feito para os animais, os homens não merecem mais o sexo.
- [calmo] Não tente se explicar meu amigo, estas teorias é que estão acabando com você. Esta ai a falar de você mesmo como se fosse toda a humanidade.
- [irônico] Morro de rir com sua ingenuidade, acredita que só eu posso passar por estes embaraços?
- [sério] Qualquer um pode, mas você é o único a ficar criando teorias para explicar o fato deplorável de manter o pau mole diante de uma bunda como aquela. E quando digo “qualquer um” me refiro a tipos como você, enterrados demais em pensamentos, e usando menos o corpo do que a cabeça.
- [compenetrado] Esta é outra teoria, preciso pensar com mais calma...
- [nervoso e gritando] PENSAR, PENSAR, PENSAR, não esta farto de pensar? O homem que só pensa é que não merece o sexo. Merece os livros e as bibliotecárias com mau hálito e tão inofensivas quanto a poeira que se acumula sobre os volumes das prateleiras mais altas. Eu aviso todas as senhoritas: se querem preencher os buracos de forma vigorosa e intensa procurem um homem burro, chegado aos trabalhos braçais. Não espere nenhum tipo de sofisticação, mas se deseja uma rola se movimentando com destreza e sempre firme, troque o cientista pelo rapaz que arruma o seu jardim. O pensamento é da família das perversões, premedita, imagina, observa reações, se interessa por texturas e gostos. Mas se não toma cuidado o pensamento mata a ação, e se acontece isso meu caro: manterá esta rola deprimente mole diante de uma bunda como a que acabou de me descrever.
- Penso que...
- PARE DE PENSAR! Abra mais uma garrafa, uma dose do vinho mais barato como um brinde ao gosto de merda que fica na boca depois de uma trepada bem dada! Não há nada singelo no sexo, ou é simples como deve ser para os camelos, ou é complexo como alguns homens fazem ser. O meio termo é agir de forma perversa, pensar antes, mas durante, não deixar de agir, como os animais agem. Tudo o mais é mesquinharia e precisa ser evitado para que não caia novamente no ridículo de ter esta rola mole em frente a uma bunda como aquela. Todos os dias o medo entra por nossos poros nas formas mais variadas, precisamos acordar cedo, cheirar bem, ter propriedades e luxo e tudo isso mata o prazer simples de trepar, como os gatos fazem no telhado. Pense na hora certa, e divirta-se com o corpo que está ao seu lado, seja perverso e premedite loucuras que surpreendam, mas não deixe o medo que circula ao redor te encontrar numa hora dessas. O medo só te faz mais ridículo. Afunda a cara naquela bunda, e esquece o mundo, aproveita que ele não existirá por alguns instantes. Lembra do relógio? Ele volta a tocar quando vocês estão em silencio novamente, ele parou enquanto vocês não ouviam nada, e o mundo não existia.

1 comment:

César Cyco said...

muito bom.
isso já me aconteceu, paumolência ante uma bela bunda num banheiro imundo. não sei se foi a cachaça, a posição nada confortável ou o forte fedor de mijo; não tive tempo de descobrir, pensei a respeito e quando fui ver, nem vi.

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